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A Repetição de um Velho Filme nas Eleições Municipais

As pesquisas realizadas na última semana confirmam as expectativas de uma repetição de quadro da última eleição na Capital..

27/06/2024 às 09h43 Atualizada em 27/06/2024 às 13h38
Por: Marcos Diovanni Fonte: Atlas Intel/CNN
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Fonte: CNN Brasil
Fonte: CNN Brasil

A pesquisa Atlas/CNN divulgada na semana passada no dia 20 de Junho para a eleição municipal de Porto Alegre nos fez enxergar um filme que se repete nas duas últimas décadas. Mesmo na tentativa de um movimento de “unificação”, as esquerdas da Capital aparecem com pouquíssimas intenções de voto. O que poderia explicar essa década de soberania da Direita na Capital Gaúcha? 

Em termos estratégicos, nas últimas eleições a esquerda tendia a uma divisão, capitaneada por PT e PSOL, além do PCdoB de Manuela D’ávila em 2020. Precisamos mencionar também números menos expressivos como o PDT de Juliana Brizola, que sempre costuma atingir um mesmo “teto” de votação, sem chances de segundo turno.

O PT na última década sofreu um grande desgaste no Rio Grande do Sul, por conta do evento lavajatista que refletiu em péssimos números na Capital, além de quadros sem a mínima renovação, nomes que se repetem mas não convencem mais o eleitorado porto-alegrense.

O PSOL por outro lado, com baixa adesão para conseguir chegar até um segundo turno, por conta dessa fragmentação junto ao Partido dos Trabalhadores. Já o PCdoB personifica muito mais Manuela D’ávila do que o próprio partido em si, e por conseguinte, a rejeição a figura da ex-vereadora acaba pesando na decisão de voto. 

Tendo em vista a situação complexa que vive a Capital após uma gestão desastrosa em todas as áreas de Sebastião Melo, estes três partidos decidiram unificar um nome em torno do PT, que é o partido mais expressivo enquanto esquerda e se aproveitando de uma alta votação feita por Lula em Porto Alegre nas eleições de 2022.

O que agora atrapalha o PT é um erro semelhante ao qual lhe impediu de chegar no 2º turno das últimas eleições, a falta de renovação de quadros e a imposição de um nome para concorrer com Melo, que não se mostra forte o suficiente para derrotá-lo em Outubro. Como podemos ver mais uma vez, a falta de autocrítica interna no Partido o vem prejudicando em inúmeras disputas eleitorais, não somente em Porto Alegre, tal como em outras capitais. 

Chegando a pesquisa Atlas/CNN, temos um quadro semelhante aos últimos anos. Uma direita extremamente fragmentada em vários nomes, com destaque para Melo com 24,8% das intenções, Any Ortiz com 9,1% e a Comandante Nádia tendo 8,5%. A esquerda unificada no topo com Maria do Rosário do PT tendo 30,2% das intenções, mas com a falta de outros partidos de esquerda nesta disputa mais abaixo, exceto PDT, o cenário de crescimento da candidata petista não é nada animador. 

Precisamos compreender que a política na contemporaneidade é um esboço de representações que perpassam o tecido social por meio da internet e redes sociais, e influem diretamente na decisão dos eleitores, muito com base na figura, na personificação e o que o indivíduo enquanto candidato transmite ao eleitorado.

Não se trata de uma disputa de ideias no campo ideológico, mas sim na rejeição ao outro, ao contrário, àquele que eu não quero que seja eleito é o que vem decidindo as últimas eleições a nível mundial. Ao que tudo indica, a eleição municipal de Porto Alegre será mais uma vez definida nestes termos. Os candidatos Maria do Rosário e Sebastião Melo deverão muito provavelmente se encontrar num cenário de segundo turno, e o evento da última eleição de 2020 deve se repetir a favor de Melo. 

No último pleito, a figura de Manuela D’ávila foi muito bem explorada na campanha contrária de Melo, que se utilizou de representações presentes no senso comum para “assustar” o eleitorado do que seria considerado uma catástrofe: a eleição de um partido que tem o termo “Comunista” no nome.

Mesmo que este partido pouco carregue em sua linha qualquer referência ao Comunismo ou Socialismo, a representação do termo e a figura de Manuela foram utilizados como forma de associar sua candidatura ao que poderia ser uma implementação de políticas “comunistas” em Porto Alegre.

Esse é um fator fundamental nas eleições, explorar o medo e a ignorância como forma de impor determinada ideia. O senso comum ecoa a favor justamente desta tática, visto que é uma simplificação do real e se encaixa perfeitamente nas táticas usadas pela extrema-direita mundial através das redes sociais.

É por isso que o cenário para Maria do Rosário se mostra desfavorável para uma possível vitória. Tanto ela quanto Melo possuem uma incrível rejeição na Capital neste momento, e por isso observamos uma baixa adesão em termos de votos para um cenário de primeiro turno. Maria do Rosário seria primeiramente uma mudança, ou seja, representaria uma transformsação nas políticas da capital, e isso por si só provoca insegurança no eleitorado.

Ademais, as representações que aproximam falsamente o PT ao comunismo serão muito exploradas no mesmo sentido que fora contra Manuela, se mostrando uma estratégia bastante assertiva. Além disso, o poder de mobilização da Direita hoje no Brasil ultrapassa com sobras o da Esquerda, que voltou a ser um fenômeno massificado e organizado com o advento do bolsonarismo. 

Mesmo Melo não sendo consenso nem de longe, a mobilização dos setores da direita conseguiu arrecadar boas intenções de votos para candidatos periféricos como Comandante Nádia que representa a extrema-direita e integra o PL de Bolsonaro. Sendo assim, num cenário de segundo turno é muito mais provável que os votantes destes candidatos rejeitem mais a figura de Maria do Rosário do que a de Melo, e optem mais uma vez, pelo “mal menor”.

A falta de capacidade de mobilização dos setores de esquerda parece oferecer a melhor resposta na atual conjuntura. O PT readequado às condições desiguais para uma governabilidade se afastou de suas bases e as desmobilizou na luta por mais direitos, e ao invés disso para se manter no poder teve que realizar políticas mais à direita no velho panorama de conciliação de classes.

Com isso, boa parte de seu eleitorado se decepciona com um partido dito de esquerda, mas que na prática se comporta como uma Direita Liberal, contribuindo para a ascensão da extrema direita por conseguinte.

A melhor estratégia a exemplo do que deu certo em 2022 seria um nome de impacto, uma figura que trouxesse a esperança de uma mudança deste quadro amorfo em que se encontra o Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Sul principalmente. A exemplo de Lula que evocou um sentimento de esperança muito mais com base em sua figura e o que ela representou na primeira década dos anos 2000.

É necessário para a esquerda repensar sua estratégia eleitoral para os próximos anos, visto que apesar  da catastrófica gestão de Melo, inúmeros escândalos de corrupção em várias secretarias e o fato da Capital gaúcha ter em grande parte sofrido com as enchentes por negligência do poder público em conseguir manter a estrutura de prevenção funcionando plenamente, ao que tudo indica ele irá se reeleger no vácuo de uma alternativa melhor tanto para os indecisos quanto para àqueles que rejeitam muito mais a candidata petista, que o atual Prefeito de Porto Alegre.

 

Marcos Diovanni
Sobre o blog/coluna
Marcos Diovanni Gomes Dalla Vecchia, nascido em Turvo-SC, mudou-se para Porto Alegre aos dez anos. Lá, descobriu suas paixões pela literatura, política e esportes. Estudante e membro do Grêmio Estudantil do Colégio Estadual Julio de Castilhos, decidiu tornar-se professor de História para retribuir o conhecimento adquirido e devido à sua vocação para comunicar. Formou-se em 2021 pela PUC-RS, sendo aluno laureado, e publicou dois livros de ficção em 2016 e 2020. Marcos também sempre teve uma paixão pelo jornalismo, um curso que cogitou fazer.
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